• Sabrina Miranda

#Agir localmente, Pensar globalmente

EM TEMPOS DE PANDEMIA SE SOBRESSAI O ESSENCIAL.

O ano de 2020 marca uma disrupção na história recente da vida humana. Os acontecimentos “inesperados” desse ano ficarão registrados e serão lembrados pelas próximas gerações. Assim como hoje estudamos e tentamos entender os fatos que culminaram com as guerras mundiais (1ª e 2ª), também no futuro próximo serão feitas reflexões sobre esse momento.

A guerra atual é mais desleal, nosso inimigo é invisível; tem um alto poder de ataque; nos conhece bioquimicamente, porém não o conhecemos completamente; não temos “armamento” eficaz para contra-atacar; e este inimigo não escolhe quem infectar. Estamos em uma guerra mundial (pandemia) e as ações locais afetam, em curto prazo, o contexto global.

A pandemia causada pelo novo Coronavírus provocou, quase que instantaneamente, mudanças no nosso modo de viver. O contato, antes frequentemente presencial, agora precisa ser virtual, remoto. A rotina do trabalho passou a ser em Home Office mediado por tecnologias. Escolas, universidades, creches e berçários ficaram fechados e o ensino passou a ser remoto. A ocupação da casa e o contato da família, antes geralmente no turno noturno, agora ocorre em tempo integral. A face que ficava exposta, mostra agora diferentes estampas de máscaras de proteção.

Não somos seres que lidam bem com mudanças. A situação anormal que estamos vivenciando, de intensa insegurança e incertezas, gera em nosso corpo altos níveis de estresse e ansiedade. A sensação é de estarmos em uma corrida sem saber onde está a linha de chegada, e já estamos exaustos!

A pandemia expôs nossas fragilidades: somos uma espécie superpopulosa em um pequeno planeta no vasto, e ainda desconhecido, universo. A desaceleração econômica, forçada pela pandemia, escancarou o quanto impactamos o planeta Terra e revelou o que é essencial para nossa existência. Somos seres vivos, dependentes dos recursos naturais (ar, água, solo, alimentos) e serviços ambientais ofertados pela natureza, e estamos sob pressões seletivas das forças naturais.

Apesar das adversidades, este é um momento propício para reflexão e ação. Precisamos repensar as relações sociais, distribuição de renda, formas de consumo e produção, impactos ambientais, emissão de gases de efeito estufa, formas de conservação dos recursos naturais.

Não se trata de mimimi ou coisa de “Eco Chato”. É condição para existência e permanência de uma espécie em um planeta no qual, em termos de manutenção da biodiversidade, não faríamos nenhuma falta caso desaparecêssemos hoje. Não se trata de uma afirmação infundada, é a ciência que nos fornece dados empíricos para sustentar nossas decisões.


O cenário está posto, a realidade é dura. O que fazer? Temos algumas opções: 1) Podemos negar tudo! Contudo, o negacionismo não muda a realidade, mas pode acelerar processos potencialmente destrutivos; 2) Aceitar ingenuamente com fatalismo, ou seja, reconhecer o problema e esperar pelo fim; 3) Ação crítica consciente – reconhecer e se engajar (localmente, socialmente e ambientalmente) em ações que visem solucionar o problema.

É isso, temos que encarar a opção 3! Nossa espécie é altamente adaptativa e somos dotados de inteligência, características que nos favoreceram até aqui. Precisamos entender que fazemos parte de um todo que precisa coexistir na biosfera. Somos parte de um todo.

Não existe uma fórmula mágica para resolver o problema. Mas, alguns elementos precisam ser interiorizados, trabalhados e praticados a partir de hoje, no campo individual, são eles: Respeito ao outro ser humano, bem como, a biodiversidade e ao Planeta; Fraternidade, pois somos todos da mesma espécie (Homo sapiens), independente de nacionalidade, raça, cor, gênero, opção sexual e classe social; Colaboração, a competição só favorece uns poucos, gerando exclusão; Cooperação, juntos somos mais fortes e resilientes; Consumo Consciente, o “ser” precisa sobressair em relação ao “ter”; Inteligência Emocional, para lidar bem com as constantes situações de insegurança e estresse; Aversão às injustiças, não faça aquilo que não deseja para si; Humildade, para reconhecer nossas fragilidades e necessidades.

A mudança começa a partir de nossas atitudes. Na Era da Globalização, temos que “agir localmente e pensar globalmente”. A ciência é nossa grande aliada neste processo, nos auxilia a analisar os fatos, ponderar as ações, pensar perspectivas. Não podemos nos esquecer que escolhas geram consequências, estas reverberam e, infelizmente, os mais pobres são sempre os mais vulneráveis.

O dia é hoje e a hora é agora. Como afirma Cortella (2014) “vida é processo e processo é mudança. Portanto, certezas são provisórias, com relações absolutamente temporais, dentro da nossa atividade”.


  • Cortella, Mário Sérgio. Educação, escola e docência: novos tempos, novas atitudes. São Paulo: Cortez, 2014.


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